No atual cenário de M&A no Brasil, empresas e investidores descobrem oportunidades únicas para crescer, inovar e consolidar posições de mercado. Com números robustos e um ambiente econômico em transformação, entender as principais tendências e riscos torna-se essencial para quem deseja se destacar em operações de fusões e aquisições.
Este artigo apresenta uma visão detalhada do panorama brasileiro e latino-americano, apontando setores estratégicos, perfis de investidores, estratégias vencedoras e desafios jurídicos, além de recomendações práticas para quem se prepara para o próximo grande negócio corporativo.
O Brasil mantém a liderança em operações de fusões e aquisições na América Latina, responsável por 63% das transações regionais em 2024 e 55,4% até abril de 2025. Em 2024, foram anunciadas 1.426 operações, um aumento de 1,86% sobre 2023.
No primeiro trimestre de 2025 registraram-se 399 operações, movimentando US$ 6,864 bilhões, representando ligeira queda de 3% em número e 24% em volume financeiro frente ao mesmo período de 2024. Entre janeiro e maio de 2025, foram 549 transações, com projeção de 1.400 para todo o ano, em linha com estimativas da PwC que apontam crescimento de 10% a 20% em 2025.
O setor de Software e TI lidera as transações, concentrando 15,4% dos negócios em 2025. Outros segmentos com alta relevância são Instituições e Serviços Financeiros, Alimentos e Bebidas, Equipamentos e Serviços de Saúde, além de Logística e Transporte. Estes cinco setores respondem por 49% das operações no país.
A aceleração da transformação digital acelerada no mercado reforça o apetite por empresas de tecnologia: no primeiro trimestre de 2025, 126 das 349 operações envolveram negócios desse segmento. Indústrias tradicionais e consumo também despontam, com 44 e 27 transações, respectivamente, no mesmo período.
Em 2025, 77% das operações envolveram investidores brasileiros, enquanto 23% foram lideradas por capital estrangeiro. Investidores estratégicos—empresas que atuam nos setores das adquiridas—respondem por 67% das transações; investidores financeiros, por 33%.
Desde a abertura de 2025, quatro transações bilionárias marcam o ritmo do mercado: a venda da Medley (Sanofi), da Suvinil (BASF), da Linx (Stone) e a entrada do suíço Julius Baer no país. Em contrapartida, até maio não houve IPOs, e apenas três follow-ons somaram R$ 3,5 bilhões, sinalizando que as fusões e aquisições seguem como principal rota de crescimento e captação de recursos.
Empresas recorrem ao M&A para expandir participação de mercado, acessar novas tecnologias e otimizar portfólios. As motivações mais comuns incluem:
Para capturar valor, é fundamental investir em processos de due diligence aprofundado, avaliando riscos financeiros, trabalhistas e regulatórios antes do fechamento. A busca por oportunidades de crescimento global ganha força quando as equipes alinham objetivos estratégicos e definem claramente metas de integração pós-fusão.
Com o ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e uma Selic atrativa frente a juros em queda nos EUA, a competição por capital intensifica a necessidade de avaliações precisas. A liquidez global mais contida gera maior cautela, elevando a exigência de garantias e cláusulas de ajuste de preço.
Negociações sofisticadas dependem de assessoria especializada em direito societário e arbitragem, garantindo a conformidade com normas nacionais e internacionais e reduzindo o risco de litígios pós-fechamento.
Para investidores e executivos que planejam operações de M&A, algumas práticas são essenciais:
Ao adotar uma abordagem estruturada e proativa, as organizações podem mitigar riscos, acelerar a geração de sinergias e maximizar resultados. Num contexto em que o Brasil se consolida como protagonista regional, há espaço tanto para players locais quanto para investidores globais dispostos a navegar num mercado menos consolidado e repleto de potenciais ganhos.
Em suma, as fusões e aquisições oferecem ferramentas poderosas para alavancar crescimento, diversificar portfólios e fortalecer vantagens competitivas. Com uma estratégia bem definida, processos rigorosos e visão de longo prazo, empreendedores e investidores estarão preparados para aproveitar o ciclo promissor que se desenha até 2026.
Referências