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Construindo um Legado: Estratégias de Transferência de Riqueza

Construindo um Legado: Estratégias de Transferência de Riqueza

06/01/2026 - 06:28
Robert Ruan
Construindo um Legado: Estratégias de Transferência de Riqueza

O mundo está no meio de uma revolução financeira silenciosa e profunda.

Estima-se que entre US$ 73 trilhões e US$ 124 trilhões serão transferidos entre gerações nas próximas décadas.

Esse fenômeno oferece oportunidades transformadoras e riscos inéditos para famílias em todo o globo.

No Brasil, o cenário é ainda mais crucial, com o país ocupando o segundo lugar em volume absoluto.

Aqui, a transferência deve alcançar incríveis US$ 9 trilhões nas próximas décadas.

Preparar-se para esse movimento não é apenas uma opção, mas uma necessidade urgente.

A construção de um legado exige mais do que acumular riqueza; demanda visão, educação e ação.

O Contexto Global da Grande Transferência de Riqueza

Os números são impressionantes e refletem uma mudança demográfica sem precedentes.

Relatórios como o UBS Global Wealth Report 2025 projetam valores que chegam a US$ 83 trilhões em 20 a 25 anos.

Desse total, US$ 74 trilhões são transferências verticais, ou seja, entre gerações.

O pico ocorrerá nos Estados Unidos, com cerca de US$ 29 trilhões em movimento.

No entanto, o Brasil emerge como um protagonista chave nesse cenário global.

Aqui, a falta de planejamento formal é um desafio que pode minar futuros prósperos.

Muitas famílias de grande patrimônio agem de forma reativa, sem visão de longo prazo.

Isso destaca a necessidade de governança familiar e estratégias proativas.

Impacto no Brasil e na América Latina

O impacto dessa transferência será profundo e multifacetado na região.

Haverá uma transformação estrutural nos portfólios de investimento.

As novas gerações demonstram maior interesse em diversificação internacional.

Isso se deve a fatores como educação no exterior e busca por estabilidade global.

Assessores financeiros que não oferecem opções externas podem se tornar irrelevantes.

Os desafios específicos incluem a longevidade dos patriarcas e a mobilidade das novas gerações.

A complexidade tributária brasileira adiciona uma camada extra de dificuldade.

No entanto, surgem oportunidades significativas para o setor financeiro.

Bancos como Santander, Bradesco e Avenue estão investindo em capacitação e tecnologia.

Eles desenvolvem programas educacionais e plataformas digitais para engajar as famílias.

O comportamento de mercado também se altera, com investidores estrangeiros injetando fundos.

Em 2025, por exemplo, foram R$ 26 bilhões na B3, comprando de pessoas físicas locais.

Isso ressalta a importância de timing e estratégia nas decisões financeiras.

Estratégias Práticas para Transferência e Preservação de Riqueza

Para navegar nesse cenário, é essencial adotar estratégias claras e acionáveis.

Aqui estão algumas abordagens fundamentais baseadas em dados e experiências globais.

  • Governança familiar e planejamento antecipado: Envolva herdeiros cedo com educação financeira intergeracional.
  • Crie estruturas flexíveis que possam se adaptar a mudanças futuras.
  • Realize simulações e alinhamentos de valores para garantir continuidade.

Essa abordagem ajuda a construir confiança e compreensão entre as gerações.

  • Diversificação de portfólios: Combine renda fixa, ações e investimentos alternativos.
  • Inclua opções como private equity, hedge funds e venture capital.
  • Foque em ativos sustentáveis e com critérios ESG para resiliência.

A diversificação internacional é particularmente crucial para novas gerações.

Ela mitiga riscos cambiais e oferece exposição a economias globais.

  • Use ETFs globais, BDRs e títulos estrangeiros para ampliar horizontes.
  • Imóveis, tanto físicos quanto via FIIs, servem como âncora em portfólios.
  • Priorize imóveis sustentáveis e em setores como turismo regenerativo.

Hedging com opções e futuros pode proteger contra volatilidade de mercado.

Alocação com gestores profissionais garante expertise especializada.

  • Estruturas patrimoniais eficientes: Considere trusts e veículos flexíveis para proteção.
  • Modelos fee-based, baseados em percentual sobre volume, estão em ascensão.
  • Eles oferecem transparência e alinhamento de interesses a longo prazo.

A gestão tributária é outro pilar essencial para preservar a riqueza.

No Brasil, o ITCMD pode chegar a 8%, exigindo planejamento cuidadoso.

  • Consulte especialistas locais e internacionais para otimizar obrigações fiscais.
  • Antecipe-se a propostas de aumento para participações societárias e ativos externos.

Tecnologia e educação são ferramentas poderosas nesse processo.

Plataformas digitais permitem autonomia e agilidade para as novas gerações.

  • Use eventos familiares e conteúdos personalizados para fortalecer laços.
  • Desenvolva soft skills em assessores para melhor comunicação intergeracional.

A filantropia e a construção de legado vão além dos aspectos financeiros.

Comunicação assertiva entre gerações perpetua valores e causas sociais.

Parte do patrimônio pode ser direcionada para impactar positivamente a sociedade.

Preparação do Setor Financeiro e Oportunidades Emergentes

O setor financeiro está se adaptando rapidamente a essa nova realidade.

Bancos como o Santander Private Banking investem em programas educacionais anuais.

Esses programas, em parceria com a Fundação Dom Cabral, duram seis dias.

Eles focam em soft skills e na inclusão proativa de herdeiros nas discussões.

O Bradesco Global Private Bank forma equipes jovens para atender novas gerações.

Isso inclui eventos e produtos alternativos e internacionais personalizados.

A Avenue lidera em "diáspora patrimonial", facilitando investimentos no exterior.

Seu modelo fee-based deve dominar o mercado em um a dois anos.

As tendências incluem capacitação contínua e modernização tecnológica.

Tecnologia não substitui consultoria, mas a complementa com eficiência.

Novos perfis de investidores buscam impacto, autonomia e sustentabilidade.

Isso abre um mercado emergente para gestão patrimonial com mentalidade estratégica.

A perpetuação de legados requer planejamento integral e visão holística.

Dados Adicionais e Tendências para 2026

Olhando para o futuro, vários fatores moldarão o cenário de transferência de riqueza.

No Brasil, a volatilidade fiscal e a Selic elevada são desafios persistentes.

O influxo estrangeiro na B3 continuará, exigindo rebalanceamento sistemático.

O World Wealth Report 2025 trará os primeiros dados específicos do Brasil.

Isso ajudará a calibrar estratégias com base em evidências concretas.

A filantropia ganhará força, com a nova geração preparando comunicação assertiva.

Ferramentas como trusts serão essenciais para gerações de riqueza sustentável.

É crucial monitorar implicações fiscais e ajustar planos conforme necessário.

Essa tabela resume abordagens práticas para enfrentar os desafios atuais.

Cada estratégia deve ser adaptada ao contexto familiar específico.

A colaboração com especialistas pode otimizar resultados e minimizar erros.

Conclusão: Inspiração e Ação para o Futuro

Construir um legado é uma jornada que requer coragem, sabedoria e ação.

A grande transferência de riqueza não é apenas sobre dinheiro, mas sobre valores.

Ela oferece a chance de criar impactos positivos que transcendem gerações.

No Brasil, com seu papel destacado, as famílias têm uma oportunidade única.

Adotar estratégias como diversificação internacional e governança familiar é vital.

Engaje-se cedo, eduque-se continuamente e busque apoio profissional quando necessário.

Lembre-se: o legado mais duradouro é aquele que inspira e transforma.

Comece hoje a planejar, agir e construir um futuro financeiro sólido e significativo.

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

Robert Ruan é analista de investimentos no culturabahia.com. Seu trabalho envolve a interpretação de dados do mercado financeiro e a criação de materiais que auxiliam investidores a tomarem decisões mais seguras e rentáveis.